24/03/2011
agora vejo os objetos ainda com mais delicadeza, pequenos e tão simples, e dotados de tamanho potencial não só sob o aspecto da memória, mas de algo mais, que os fazem reluzir no primeiro olhar. A pirita é o "ouro de tolo", mas ainda assim, brilha. E não importa seu valor comercial, mas sim seu valor sentimental, mas sem o apego a esse objeto. Ele é só um canalizador dessas memórias e sentimentos.
enfim. eu tinha que escrever alguma coisa, eu me prometi que ia escrever a cada semana. taí. Semana corrida, tudo muito novo, matérias incriveis, idéias nascendo a toda hora. mas ainda assim, preciso me concentrar em produzir.
08/03/2011
essa semana andei pensando mais sobre a pesquisa de coleções, cátalogação e memórias, e, com uma conversa com um amigo que jura que aconteceu com um colega dele, vi a existencia das coleções indesejadas.
do inicio da história:
A gente tem uma tendencia natural de colecionar objetos que trazem boas recordações. Guardar estas lembranças traz uma calma e a certeza que fizemos a coisa/escolha certa, e por isso fomos recompensados com um momento tão agradavel. Falo isso em relação ao outro lado que são das más lembranças.
Esse colega do meu amigo tem um hábito de rouber uma calcinha das amigas. É apenas uma, e diz ele que a pessoa não repara que foi roubada, mas apenas que sumiu. O que ele faz com isso? Nada de usá-las, ou masturbar-se. Diz esse meu amigo que esse colega (não vou julgar se é verdade ou não, não quero saber se isso acontece de fato com meu amigo, não tenho essa curiosidade, mas o assunto me fez pensar), quando consegue chegar em casa, ele apenas esconde o produto de seu furto e sente completa vergonha disso. não tem coragem de devolver, sabe que tem uma compulsão, não vê nada de mais num pedaço de pano, mas tem uma coleção que não gostaria de ter.
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| não, meu amigo não é o Wando. |
bom, todos nós não colecionamos uma série de erros que não gostamos de contar, mas que, graças a eles, sabemos o que não fazer? Todos nós não temos uma vergonha de ter feito algo, e é muito mais dificil se esquecer dessa memória do que uma boa? Comecei a pensar que vemos o lado bom da "memória" e "coleções", mas elas existem a muito mais tempo, pra nossa sobrevivencia. Colecionar momentos ruins nos fazem evitar que ocorram novamente.
Mas voltando, se uma coleção de calcinhas é um produto de uma "coleção de más memórias" quais seriam suas possibilidades ? cicatrizes, tatuagens, psicólogos, auto-tortura.
ainda não sei, não to bem de saude, mas vou pesquisar mais alguma coisa sobe isso. Por enquanto fica de registro pra futuras idéias....
01/03/2011
Tudo começou após as vadiagens, ressacas e ameaças de perder o semestre por faltas. Não eram pra mim essas ameaças, mas sentia que eu deveria escutar, já que acompanhava o mesmo ritmo deste meu colega que seguia o caminho com mais afinco. Só não sabia como mudar. Acreditava que estava indo bem, quando não era essa situação. Só fazia aquilo que era pedido, e sentia muita dificuldade em ir além, quando via colegas ousando cada vez mais.
Ora, era natural, eles eram artistas e eu ja tinha definido que não queria ser isso. Eu deveria me tornar um designer. E ai veio os problemas.
Eu estava trabalhando numa empresa como diagramador. Era tratado como designer, mas não sabia resolver determinados problemas que outro conseguiria. Mas conseguia ser mais "artístico" naquele ambiente. Já na faculdade era o caminho inverso, não conseguia ser artista mas era mais "designer" que meus colegas de sala.
O que eu estava me tornando, afinal?
Se não era bom em nada, então estava satisfeito. Porque aprendi desde cedo que independente do que eu faça, deveria ser o melhor naquilo, ou tentar chegar o mais perto possivel de quem fosse.
Entre essa e outras crises pessoais, veio o estopim de tudo. Um trabalho na aula, com nossa 2ª professora: desenvolver um trabalho que se relacionasse com a cidade, e que seguisse a minha linha de raciocinio desenvolvida até então.
Qual é meu raciocínio? O que desenvolvi até o momento? Qauis daqueles trabalhos era eu de verdade? Qual é a minha identidade? Quem/o que sou eu?
Talvez seja bobagem ler isso de fora, mas pra mim, aquilo fazia e faz todo sentido até hoje. esses questionamentos foram fundamentais pra localizar (sem sucesso até hoje) minha verdadeira identidade. Pra algumas pessoas isso é fluido, rápido e agradavel, mas pra mim tem sido torturoso. Principalmente porque tenho enfrentado certos demônios que tenho evitado a anos, e sempre que começo esse processo de cutucar feridas antigas, eu entro numa crise que me trava completamente, me fazendo desistir de continuar.
Novamente, em crise, tenho evitado pensar em cartas coisas. Mas tenho plena consicencia agora, que precio continuar me perguntando sobre a minha identidade. porque o tempo urge. e eu não posso mais desperdiçar o pouco que me resta.
23/02/2011
Mas enquanto isso, nestas férias, percebi a proximidade do final do curso, e como consegui encontrar meu trabalho final. Pode não ser o trabalho final, mas acredito que posso usar essa base para o próximo projeto. Farei relatos para que eu possa utilizar posteriormente no T.C.C.
O tema que consegui encontrar é sobre coleções. Toda criança tem uma coleção, de moedas, tampinhas, bonecas e bonecos, figurinhas, revistas, seja de HQ, seja de boysbands, e essas coleções podem ou não seguir junto com a vida dessa criança. Muitos adultos deixam de lado velhas coleções, e começam outras, deixam de lado itens infantis por outros do mundo adulto, mas o sentimento é o mesmo, e até mais intensificado. Acredito que os itens não são importantes, mas sim, a memória do colecionador que reserva a cada item, um lugar, pessoa, data, e/ou qualquer coisa do gênero. Gosto do trabalho da Rosângela rennó, porque eu sinto que se trate das mesmas coisas, como presenciei na 29ª Bienal de São Paulo (2010)
| Menos-valia [leilão |
16/02/2011
Cá estou eu oficialmente solteiro, da mesma forma que estive nos ultimos meses. Sozinho. Até melhor estar assim, pelo menos não tenho que fingir mais que tenho algum relacionamento com uma pessoa que me trata como um adolescente, pior, um namorado de jardim de infancia. Pra algumas pessoas crescer é dificil. Perceber o que o mundo é feio sujo e malvado é cair por terra toda base de pensamento iludido que foi construido até então. E o pior, que na verdade é o melhor, que ser feio sujo e malvado é divertido e gostoso. Pena.
14/02/2011
Embriagai-vos
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| A ma santé, 1995, Francine Van Hove |
É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso: eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas – de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tu...do o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que o fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro e o relógio hão de vos responder:
- É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; e embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virturde, como achardes melhor."
Charles Baudelaire falou. Então tá dito.
10/02/2011
dia 7 de maio de 2008:
Lembra-se de quando voce usou a internet pela primeira vez? Aquilo de certa forma foi mágico, voce não sabia como ter os resultados que imaginava, mas sabia que podia chegar em algum lugar. Entrava numa página de fãs de uma banda do momento, ficava lendo as notícias de um site grande, como o ig, terra, uol e etc., tentava baixar um programinha para melhorar/embelezar seu pc. Talvez alguns foram que fizeram um site simples, com 2, 3 páginas e estavam satisfeitos.Após um certo tempo, veio a revolução dos Blogs, onde todo mundo tinha o seu, da velhinha de 86 anos a cadela do vizinho que acabara de dar cria. Era monótono, todo mundo colocava imagens, fotos de festas, uma letrinha de música e pronto! Depois “mendigava” comentários, lem lendo o que foi escrito nos outros blogs. O importante era que o SEU fosse popular.Isso foi desanimando, as pessaos pararam e migraram pros Fotologs. Ali encontrava-se a essência dos blogs, e toda levianidade que era utilizada. Se voce for ver, ela ainda resiste, com fotos, ângulos e letras de músicas (não importa o que voce diga, mas coloque uma foto bonita hoje!).O orkut apareceu com uma força gigantesca, e é o que está até hoje entre as atividades dos internautas mais praticadas… Faltado que fazer? Orkut. Pois é, um cara lá nos estados unidos fez um site de relacionamentos, mas mais do que isso, uma coisa que os brasileiros adoram, se expor.Eu tenho uma tara por blogs, sempre tive. Ler os pensamentos mais sinceros de uma pessoa. Não significa os mais escondidos, mas os sinceros, onde ela diz tudo que precisa dizer, como se fosse ao terapeuta. E eu vejo que somente nos blogs isso é possivel, já que ele dá a liberdade de inserção de fotos, ou imagens, ou textos, ou vídeos, ou tudo isso junto. De certa forma, é como se tornassemos confidentes do dia-a-dia destas pessoas.Blog de nerds, blog de jornalista frustrado, blog de mal-amados, blog de ninfomaníacos, blog de pseudo-cults, blog de cineastas pobres, blog de sonhadores, blog de gente que não tem o que fazer.é estranho acompanhar uma certa pessoa que voce nunca a viu, por mais de anos, mas sentir-se intimo dela, comentando, como se fosse conselhos sinceros para que resolva sua vida.Não quero fazer desse blog uma terapia. Quero ser o chato que aponta o dedo pra ferida , o que fala o que não se deve, o que corrompe os mais puros com suas idéias. Ser acima de tudo, eu mesmo.caso voce ja leu o “Dono e frequentador” ali em cima, vai perceber que eu faço belas artes. Então muitos dos pensamentos são voltados pra arte, sim. Porque arte é uma coisa meio ingrata, que só o artista entende. enquanto os espectadores acham uma bela merda. Eu acho isso diante de algumas obras.Prazer em conhecer voce, e espero que continue frequentando este bordel de idéias.
Mantive os mesmos erros de português. O nome era Lupanar, que significa bordel , na antiga Roma. Esperava que fosse um espaço da arte erótica, ou qualquer coisa assim, mas acho que esqueci aos poucos da obrigação, eu não tinha a necessidade de escrever. Hoje eu tenho de novo, mas até quando?
30/01/2011
Eu ja perdi o ímpeto de certas coisas. Mas continuo a enfrenter o medo e cansaço, os dois maiores inimigos das coisas novas que acontecem por acaso. As vezes percebo que essa tecnologia que nos ajuda a unir pontos distantes acaba afastando cada vez mais. Vou ficando em casa, num quarto escuro, ao invez de não fazer nada lá fora. E sinto e perco os meus dias de uma forma débil.
23/01/2011
Lembro-me de pouquissimos livros que li quando criança. mas definitivamente, teve um que não sai da minha cabeça até hoje. "longe é um lugar que não existe", um livro um tanto poético falando sobre um aniversário que vai acontecer, mas a pessoa nçao poderia ir, mas envia-lhe um presente. e todas as ilustrações são de pássaros. Isso que digo é algo da memória, não peguei o livro recentemente, até gostaria de encontrá-lo novamente...
14/10/2010
Essa maldita dor que não passa, mesmo eu fingindo estar bem.
O trauma é grande, a recuperação é lenta. A memória é vívida, e recordar faz certos demônios voltarem a tona. Então mais uma vez, tomo uma dose do mesmo veneno que tanto me fez cair em desespero. Burrice? Não. O que difere o veneno do remédio é a dose.
E cá estou eu a gostar novamente de uma pessoa.
Será que apreni a dose certa?
25/06/2010
A noite era perfeita.
Talvez não, poderia ser melhor, mas pra mim estava ótima.
Álcool, amigos, rock.
A cerveja estava gelada, uma mesa gigante, e todos ali de divertindo. falávamos de coisas triviais, coisas que falávamos todos os dias, mas ali era com uma outra intensidade. Riamos e nos divertíamos com essas preocupações que não faziam sentido naquele curto espaço de tempo. Riamos e não pagávamos por aquilo. Na verdade alguns de nós, nem a conta pagaram. Mas não importava. Beber de graça, e com graça, e com champanhe. Sem pretensão de nada além, um simples abraço, um olhar e um suave toque dos lábios, descompromissadamente.
Caminhamos em direção a música, sem se preocupar se seria bom ou ruim, porque sabíamos que já estava valendo a pena. Entramos pela pequena porta, um lance de escada que descia para o cubículo abafado, nosso "inferninho" particular. Quem tocava era nossos amigos. Quem cantava, tinha a seriedade de divertir com aquilo. Nós dançávamos, e gritávamos, e rimos, rimos muito. Aquilo valia o incômodo zumbido nos ouvidos que ficaria no dia seguinte.
Um pouco de ar, um cigarro, mais conversas, e de volta ao nosso ambiente. E antes que tudo se tornasse monótono e repetitivo, a minha despedida. Sabia que era cedo, mas estava tarde o suficiente para atender a responsabilidade pela manhã seguinte. Abraços, abraços, abraços, e aquele olhar novamente. Como não tinha percebido-o antes? Aqueles mesmos olhos que sempre os via e passava despercebido? Segui-os, e encontrei teus lábios novamente, para só então o beijo, simples, amigável, mas sincero. "Apenas amizade, sossegue", mas acho que não era eu que estava nervoso ali. Segui os passos que já havia traçado naquela noite, indo ao encontro do meu pobre e débil descanso.
Foi uma noite perfeita. Quem dera se durasse pra sempre.
02/06/2010
Não, eu não ando nada bem. Demorei um tempo pra tentar reunir esses tantos sentimentos que acontecem e mesmo assim, ainda não consigo compreendê-los.
Tenho apenas 23 anos, o que parecem muitos para mim, mesmo sabendo que aproveitei no máximo oito. Mas sinto já um pouco das coisas pálidas, sem intensidade. Incomoda-me o fato de precisar de coisas mais intensas, ou de não conseguir mais atingir a plenitude de tudo.
Perco-me. Expressar em palavras é mais difícil.
Na realidade, não sou quem sou. Se pudesse apresentar a mim mesmo aos 15 anos quem sou hoje, sentiria nojo e orgulho, e raiva, e estranhamento. Tenho a sensação que algo foi perdido em meio ao percurso, que o garoto que era preocupado em ser feliz criou um monstro em suas entranhas, e hoje ele é dominado por essas apreensões. Bebo e fumo, e abraço meus vícios, e comemoro tudo acaba sendo forçado no fim, porque não me sinto feliz. O final do dia é sempre a pior hora, é quando o amargo de tudo aquilo que poderia acontecer porque se eu tivesse feito melhor, se eu tivesse me esforçado mais aparece, e tudo ficasse pútrido.
Sempre de fora, o que mais me incomoda, definitivamente, é o fato de não conseguir mais me relacionar com as pessoas. Invejo quem tem amigos de longa data, pois não acho uma forma de me aproximar de qualquer outra pessoa, sempre me dedicando a coisas fúteis, como estudo, ou trabalho. Ficando associando as pessoas vazias. Sinto-me ermo, distante de todo sentimento que anseio por tocar, como uma mariposa insiste em se aproximar da luz. A dor se torna completa e lacerante quando me descubro gostando de alguém e consigo estragar todo o relacionamento por me distanciar demais e temer esta aproximação.
Agora, perdendo o prazer de sentir os sabores naturais de viver, me apaixono menos, me sinto menos a vontade de querer conhecer alguém interessante. Minto, anseio por esta situação, mas cada dia mais perde a vontade de conhecer as pessoas. Como artista visual, que tanto nego ser, sou um ser sensível, ou melhor, um ser visualmente sensível ao que é "belo", mas pelas marcas que trago desses curtos oito anos vividos, já tenho a desagradável experiência de entender que pessoas belas são vazias. E as interessantes de alguma forma não estão pertas assim de mim.
Se pudesse hoje, ter apenas um desejo realizado, era de ter uma companhia. Além dos prazeres sexuais, além da relação carnal, mas uma companhia REAL, que pudéssemos ser irmãos de alma, de troca de experiências e sem o medo de se revelar, por mais podre que sejamos por dentro.
Pode até parecer um punhado de lamentações, mas sofro silenciosamente todos os dias, e estou a ponto de me abandonar. Peço socorro.




























